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![]() CORDEL À MINHA MANTA DE RETALHOS
Vou contar-lhes a história de uma manta que está sendo montada de retalhos que foram guardados de experiências vividas, grandes recordações, que envolveram duas vidas. Cada pedaço uma história diferente como diferentes são os tecidos nela constituídos: Cetim, linho, seda, algodão, falar dela é para mim sempre uma grande emoção. Construindo essa manta pouco a pouco misturando lágrimas e alegrias sem horário definido para nela trabalhar às vezes de noite, às vezes de dia; suas lindas cores trazem inspiração, muito trabalho e também gratidão. Mergulhada em pensamentos não posso esquecer os lindos momentos que a vida nos ensinou a viver hoje, com ela em minhas mãos mesmo sem terminar, embrulho com ela para sentir-me muito mais bela. Ao escrever este poema desejava dizer: “Nossa Manta de Retalhos”, mas não posso, pois agora ela depende dum único esforço. Ela enriquece e enobrece o meu viver; cada fio da tecelagem revela minha coragem de prosseguir nessa viagem. Ainda não sei quando vou terminá-la; o tempo vai passando e minha vida levando. Fui criança feliz, adolescente impaciente; e mulher muito apaixonada. Estava no caminho do meu intento, mas logo começou meu sofrimento. Cursei faculdade, casei, tive filhos dedicada à casa, família e ao trabalho; descuidei dos meus sonhos andando por atalhos; percebi estava esquecendo-me, anulando-me. Acordei e dei o grito de liberdade, para ser dona de minha vida e das minhas vontades. Foi uma descoberta muito oportuna que faz parte de um tempo de alegrias quando avalio os meus erros e acertos, diante de tantos panos despedaçados, reorganizo minhas grandes esperanças para viver num clima de maior confiança. Se temos perdas, também teremos ganhos oportunidades valiosas e sem tamanho melhores condições para ajudar e renovadas experiências no compartilhar. Com essa manta tenho prazer de cobrir meus filhos desejando que nunca percam o seu brilho. Diante dos desagrados, continuo firme defendendo a família e a nossa fé valores que aquecem o coração e nos fazem permanecer de pé; preparam para a vida a ser vivida e libertam da frieza da solidão. Continuo guardando pequenos retalhos como lembranças de grandes saudades que aos poucos vou alinhavando como se fossem uma linda canção; não mais molhados de lágrimas guardadas eternamente em meu coração. Maria Loussa
Enviado por Maria Loussa em 10/11/2008
Alterado em 10/11/2008 Comentários
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